Primeira remessa atende 20 bebês internados na Maternidade Cândido Mariano

Bebês prematuros de Campo Grande receberam, nesta segunda-feira (2), a 1ª dose da vacina contra o vírus sincicial respiratório, causador da bronquiolite em recém-nascidos. O imunizante passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante. Nesta etapa, 20 crianças internadas na Maternidade Cândido Mariano foram vacinadas.
Uma das mães, que preferiu manter o anonimato, conta que a filha nasceu com 32 semanas de gestação após a equipe médica identificar irregularidades no batimento cardíaco da bebê. “Ela ficou 43 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Agora está melhor, e eu estou muito feliz com essa vacina”, relata.
Keila Lacerda, coordenadora de vacinação da maternidade, explica que o imunizante será aplicado todas as quintas-feiras nas unidades intermediárias destinadas aos prematuros. “Ela é muito importante porque protege contra a bronquiolite e a pneumonia. Tem um custo muito alto e só estava disponível em clínicas particulares; agora, estará disponível no SUS”, pontua.
Casos em MS
“Esse vírus, nos últimos anos, passou a representar um risco maior para os bebês. Houve um aumento significativo no número de internações. No ano passado, tivemos uma crise de leitos por causa da bronquiolite e dos surtos epidêmicos. Com essa vacina, acredito que esse número vai diminuir bastante”, complementa Keila.
A profissional destaca que não há alerta para reações graves à vacina, sendo previsíveis apenas sintomas como dor local e febre. Por isso, os bebês vacinados serão monitorados pela equipe de enfermagem e pelos familiares.
Maristela Chamorro Alves, técnica da Coordenação de Imunização da SES (Secretaria Estadual de Saúde), informou que a pasta realizou um levantamento prévio dos nascidos prematuros no Estado. Dessa forma, Mato Grosso do Sul recebeu doses suficientes tanto para Campo Grande quanto para o interior. Ao todo, foram mais de 10 mil doses.
“A criança recebe uma dose agora e outra após 24 semanas. A vacina faz parte do calendário nacional de vacinação. Toda criança que nascer com até 36 semanas e 6 dias receberá o imunizante. O Ministério da Saúde autorizou o resgate da vacina; portanto, crianças que nasceram em agosto de 2025, com até 36 semanas e 6 dias, têm direito à imunização”, explica.

Distribuição
Alves orienta que mães de prematuros procurem a Secretaria de Saúde do município para garantir a vacinação do bebê nos próximos dias.
Karina Rosa Rolim Zucareli, diretora técnica da maternidade, afirma que a aceitação da vacinação na unidade é de 99%. Ela explica que a nova estratégia oferece uma imunização dupla, já que a gestante recebe a vacina contra a bronquiolite durante a gravidez e o bebê é imunizado após o nascimento, com até 36 semanas, para combater doenças respiratórias.
“No ano passado, tivemos um surto de bronquiolite na cidade. Inclusive, houve um caso aqui em que foi necessário isolamento. Essa vacina é um anticorpo monoclonal que garante proteção imediata ao bebê”, destaca.
Quais bebês devem tomar?
O VSR (vírus sincicial respiratório) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo o risco de hospitalizações.
Segundo o Ministério da Saúde, a dose é indicada para todos os prematuros com idade gestacional inferior a 37 semanas e para crianças de até 24 meses com comorbidades que aumentam o risco de infecções respiratórias, como cardiopatias.
Cenário em MS
Em 2025, Campo Grande notificou 3.140 casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Do total, 594 estão classificados como infecção pelo VSR, principal causador da bronquiolite e pneumonia. Destes, 391 acometeram bebês com menos de 1 ano. Os dados são do Painel de Síndromes Gripais e Respiratórias da Cievs (Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde).
A SRAG engloba casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória. As causas variam e incluem o vírus sincicial respiratório, influenza, covid-19, rinovírus, entre outros agentes virais.
Conforme a SES (Secretaria de Estado de Saúde), a vacinação durante a gestação possibilita que os anticorpos passem para o bebê pela placenta, garantindo proteção desde o nascimento, período em que a criança está mais vulnerável a infecções respiratórias. A vacina pode ser aplicada até a última semana de gestação.
“Esse efeito é especialmente importante nos primeiros meses de vida, quando o bebê ainda não pode receber diretamente outros imunizantes contra o VSR”, detalhou a Secretaria.
Incorporação da vacina ao SUS
A incorporação da vacina recombinante Abrysvo (Pfizer) — destinada a gestantes — ao SUS foi anunciada em fevereiro de 2025 pelo Ministério da Saúde. Além disso, a pasta anunciou a incorporação da vacina de anticorpo monoclonal Nirsevimabe, indicada para bebês prematuros e crianças com comorbidades.
Essas vacinas estavam disponíveis somente na rede privada, com preços que variam de R$ 1.599 a R$ 1.760, podendo chegar a R$ 4 mil. No Brasil, a vacina Arexvy (GSK) está indicada para idosos, enquanto a Abrysvo (Pfizer) pode ser aplicada em idosos, gestantes e pessoas com comorbidades a partir dos 18 anos. Já o anticorpo monoclonal Nirsevimabe (Beyfortus) está recomendado para bebês com menos de dois anos.
Com a inclusão no SUS, a meta é reduzir internações e mortes relacionadas ao VSR. Entre 2018 e 2024, o Brasil registrou mais de 83 mil internações de bebês prematuros por complicações ligadas ao vírus, como bronquiolite e pneumonia.

Fonte: Midiamax.