Além de ter adiado o procedimento considerado urgente, familiares indicam a postura ‘rispida’ do profissional perante o caso

Uma bebê morreu na tarde da última sexta-feira (28) na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande. A família da gestante, de 37 anos, acusa o médico responsável pelo parto de homicídio culposo devido à negligência.
A paciente, com 36 semanas de gestação, passou mal e foi à maternidade na quinta-feira (27), mas a cesariana só ocorreu na tarde do dia seguinte após insistência do pai da criança. Segundo o familiar, o médico demorou para realizar o procedimento mesmo com exames indicando a gravidade da situação.
Além de ter adiado a ‘intervenção cirúrgica imediata’ – indicado horas antes por outra médica que efetuou os primeiros exames -, ainda há relatos sobre a falta de contato do profissional com os pais da bebê. Após solicitar uma conversa direta com o médico, o pai afirma que recebeu uma postura ríspida e a informação de que o processo poderia resultar em morte.
Procedimento cirúrgico
A cirurgia ocorreu às 15h40 e, conforme a família, o médico colocou a criança em uma maca e realizou manobras de reanimação durante, aproximadamente, 30 minutos. A decisão de cessar as tentativas surgiu pois, segundo o profissional, a bebê perdia os sinais vitais sempre que interrompiam as manobras. A declaração do óbito aconteceu logo depois.
Contudo, a declaração de óbito indica que a bebê havia morrido ainda no útero da mãe ou durante o parto, mesmo com o tempo estimado do procedimento de reanimação. Apesar da gravidez ser de risco, o mesmo documento ainda consta deslocamento de placenta e trombofilia, mas nenhum exame pré-natal apontou tais condições.
Constatada a morte da criança, o familiar afirma que o médico proferiu a seguinte frase: ‘morreu, que pena, se tivesse operado antes… Mas fazer o quê? Acontece. Até que era bonitinha’.
O que diz a Maternidade?
A reportagem entrou em contato com a Maternidade Cândido Mariano sobre a situação. Confira a nota da instituição na íntegra:
Informamos que a maternidade Cândido Mariano não é referência para gestação de alto risco pelo sus, porém mesmo não sendo referência, realizou o acolhimento da paciente, gestante de 36 semanas, que procurou atendimento com queixa de cólica e falta de ar. Realizado exame de cardiotocografia e foi internada às 08h50 em tratamento clínico para realização de ultrassom com doppler. Segundo relatórios, paciente relatou diminuição da movimentação fetal às 13h, sendo examinada pela enfermeira obstétrica. Às 14h40 foi avaliada pelo médico, com alteração neste momento do batimento cardíaco fetal, sendo levada para Cesárea, mesmo estando sem jejum, às 15h15. O parto ocorreu às 15h39, com causa do óbito sendo a trombofilia e sofrimento fetal crônico.
O CRM (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) também foi acionado mas informa que precisa verificar se houve registro da denúncia junto ao órgão.
Fonte: Midiamax.