Família acionou a Defensoria Pública em busca de orientação

Desde setembro, a Santa Casa de Campo Grande tem suspendido os procedimentos eletivos por falta de verba: não há quantia suficiente para o pagamento dos salários de diversos profissionais, nem para o custeio de materiais essenciais. Com isso, diversos pacientes amargam a falta de atendimento.
É o caso de José Ferreira de Moraes Filho, de 71 anos. O idoso está com o braço quebrado desde domingo passado (9), passou por atendimento em Upa (Unidade de Pronto Atendimento), no CEM (Centro Especializado Municipal), mas na Santa Casa, onde deveria passar por cirurgia, não consegue.
Marcilene Moraes, filha do idoso, explica que todos os dias a Santa Casa liga para a família e comunica que a vaga para ele foi negada. O motivo: “o caso dele não é o mais urgente”. Com a falta de verba, o hospital tem priorizado o atendimento às pessoas em situações mais graves, em sua maioria, com fratura exposta.
“Enquanto isso ele está com dor. O médico [da Upa] até passou outro remédio para ele tomar durante a noite, diz que vai melhorar a dor dele, só que não melhora. O braço dele está quebrado, não dá pra mexer, está imobilizado. Não consigo dar banho, porque não pode molhar. E meu pai está incomodado, ele diz que está sujo, que está se sentindo fedido. Ele grita de dor toda noite”, lamenta.
Segundo Marcilene, o pai tem dormido no sofá da sala, pois não encontra posição confortável para dormir. Para ela, o que José tem enfrentado é um descaso da Santa Casa.
“Falei pra menina da Upa que levaria meu pai direto pra Santa Casa, mas ela me explicou que eles só aceitam com encaminhamento de uma Upa. O pedido dele foi negado, então meu pai vai aguardar a cirurgia em casa. É triste ver uma situação dessa, fico muito chateada”.
E este não é um caso isolado na família. Marcilene explica que a cunhada também está em uma unidade de saúde, com a bacia quebrada, aguardando vaga na Santa Casa. “Tá difícil. Eu fico mais preocupada ainda com meu pai porque ele é muito debilitado, não gosto nem de falar de um negócio desse”, frisa.
A família já acionou a Defensoria Pública, mas as tratativas ainda não foram satisfatórias. “Chegamos lá, tivemos que agendar uma vaga pra poder entrar contra a Santa Casa, pra ver se consegue uma vaga. É uma burocracia muito grande. Achei um descaso, na verdade”.
A reportagem acionou a Santa Casa e pediu uma devolutiva sobre o caso de José. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Investimento de R$ 1,5 milhão do Governo Federal
A Santa Casa de Campo Grande recebeu, por meio do programa Agora Tem Especialista, do Governo Federal, um investimento de R$ 1,15 milhão. No entanto, segundo o hospital, a verba não será suficiente para encerrar a paralisação das cirurgias eletivas.
A informação vem após o Ministério da Saúde oficializar, nesta sexta-feira (14), o investimento de R$ 22 milhões para ampliar os atendimentos, exames e cirurgias especializados em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, a expectativa é de redução da fila por cirurgias em 20% e de zerar a espera por procedimentos oftalmológicos.
Em nota, a Santa Casa explicou que o pedido para o programa contemplava cerca de R$ 14 milhões em procedimentos cirúrgicos, abrangendo diversas especialidades. Porém, a resolução publicada pelos gestores autorizou apenas R$ 1,15 milhão, o que “limita a atuação da instituição dentro do programa”.
Assim, o hospital usará o valor para contemplar as áreas de oncologia e cirurgia vascular. Especialidades tradicionais da Santa Casa, como a cirurgia cardíaca, não foram incluídas.
“Dessa forma, o programa não será suficiente para encerrar a paralisação das cirurgias eletivas em nossa instituição. Continuaremos buscando diálogo com os gestores para ampliar a cobertura e garantir que a população tenha acesso a procedimentos essenciais em todas as áreas em que somos referência”, frisa a nota.
Fonte: Midiamax.