Área plantada e produção total cresce 3,7% e sustenta avanço da produção; clima irregular e pragas pressionam produtividade no estado

A safra de grãos 2025/26 em Mato Grosso do Sul deve fechar com aumento na produção, impulsionado principalmente pela expansão da área plantada. Dados do 7º levantamento da Conab indicam que o estado semeou 6,89 milhões de hectares, alta de 3,7% em relação ao ciclo anterior.
Com isso, a produção total está estimada em 29,6 milhões de toneladas, também com crescimento de 3,7%. Já a produtividade média ficou praticamente estável, em 4.300 quilos por hectare, com leve recuo de 0,1%, refletindo os impactos do clima ao longo do ciclo.
Principal cultura do estado, a soja teve colheita acelerada entre março e início de abril, beneficiada pela redução das chuvas no período. Apesar disso, lavouras enfrentaram adversidades importantes, especialmente em janeiro, quando a combinação de estiagem e altas temperaturas atingiu fases sensíveis como floração e enchimento de grãos. Em algumas regiões, houve maturação antecipada, o que reduziu o peso dos grãos. Ainda assim, o desempenho geral foi considerado satisfatório.
No milho, o cenário varia entre as safras. A primeira safra apresentou bom desenvolvimento, favorecida pelas chuvas de fevereiro, mantendo o potencial produtivo dentro do esperado. Já a segunda safra, plantada na sequência da soja, avança em fase vegetativa, mas com registros de déficit hídrico em algumas áreas e aumento nos custos de produção devido à maior incidência de pragas, como lagartas.
O algodão também integra o ciclo agrícola sul-mato-grossense com condições, em geral, favoráveis. A boa umidade do solo contribuiu para o desenvolvimento das lavouras, que estão nas fases de floração e formação de maçãs. Por outro lado, a cultura enfrenta forte pressão de pragas como mosca-branca e bicudo, exigindo manejo mais intensivo.
Milho viveu momentos de estresse hídrico
Do ponto de vista climático, o estado teve um comportamento irregular ao longo do período analisado. Em março, enquanto boa parte do Centro-Oeste registrou volumes expressivos de chuva, áreas do sul e oeste de Mato Grosso do Sul tiveram precipitações mais baixas, o que reduziu a umidade do solo em algumas regiões. Esse cenário contribuiu para episódios pontuais de estresse hídrico, principalmente no milho.
A tendência para os próximos meses é de redução gradual das chuvas, típica da transição para o período seco, com possibilidade de irregularidade na distribuição hídrica. As temperaturas seguem elevadas, o que pode intensificar a perda de umidade do solo.
Na comparação com a safra anterior, o crescimento observado em Mato Grosso do Sul é sustentado pela expansão da área cultivada, e não por ganhos de produtividade. O cenário confirma a estratégia de avanço territorial da produção, mesmo diante de desafios climáticos e aumento na pressão de pragas.
Ainda assim, o desempenho mantém o estado em posição de destaque na produção agrícola nacional, acompanhando o cenário brasileiro de safra recorde projetado pela Conab.
Fonte: Midiamax.