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Sem estrutura e com greve, pacientes enfrentam colapso na Santa Casa

Pacientes relatam falta de estrutura, de pessoal e de medicamentos

Servidores ocupam o saguão da Santa Casa (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Enquanto enfermeiros e funcionários do setor administrativo da Santa Casa de Campo Grande lutam, em greve, pelo recebimento do décimo terceiro salário, pacientes sofrem com a falta de estrutura, de pessoal e de medicamentos.

O caos é relatado por Claudete Cardoso de Jesus Marques, que acompanha a mãe, Maria Antônia da Conceição, de 80 anos, internada no hospital.

Claudete conta que a mãe está hospitalizada desde o dia 16 de dezembro, após sofrer uma fratura no fêmur. Segundo ela, já no momento da internação a enfermaria não dispunha de lençóis para os leitos, não contava com aventais para os pacientes e até o paracetamol prescrito precisou ser comprado pela família.

“Não passa nenhum médico para falar sobre exames e sobre a situação do paciente. Cirurgias, pelo que entendi, só acontecem para quem tem algum conhecido com influência”, afirma.

Com o início da greve, a situação se agravou ainda mais. “Agora são apenas dois enfermeiros para 27 pacientes. Eles só conseguem administrar a medicação e fazer curativos. Não há limpeza adequada e a alimentação dos pacientes está precária. A situação é de abandono e falta de respeito. Há muitos idosos que precisam tomar banho no leito, mas isso não é possível, porque um único acompanhante não dá conta e também não pode molhar o lençol”, relata.

Claudete também afirma ter solicitado, há quatro dias, uma visita médica por meio do SAC do hospital, sem retorno até o momento. “Abri uma reclamação e me disseram que o caso dela não é prioridade. Já pensou? Disseram que a prioridade é para acidentes e baleados. Perguntei sobre o Estatuto do Idoso, e a resposta foi que não podiam fazer nada”, lamenta.

Reunião

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, uma reunião a portas fechadas aconteceu na tarde desta terça-feira (23), entre a diretoria da Santa Casa de Campo Grande, representantes do SIOMS (Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul), e o deputado federal Geraldo Resende.

Segundo o presidente do Sindicato, Lazaro Santana, a pauta da reunião é justamente o pagamento do décimo terceiro. “Estão fazendo cálculos e analisando a possibilidade de fazer o pagamento”. Além disso, a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), foi acionada para acompanhar grevistas nesta tarde.

Pelo menos quatro viaturas da PM estacionaram no pátio do hospital e alguns policiais adentraram o local e foram direto para a sala da presidente, enquanto os manifestantes entoavam palavras de ordem. 

Não há informações sobre quem teria chamado a polícia. “O fato é que eles (policiais) estão aqui, mas nós não somos baderneiros e vamos continuar nosso direito de manifestação, um movimento lícito e limpo”, destacou o presidente do SIOMS.

Fonte: Midiamax.

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