Polícia

Justiça decreta prisão de marido e filho suspeitos de feminicídio de Nilza

Policiais encontraram sinais de luta e sangue na casa onde Nilza foi assassinada

Principal suspeito de cometer o crime é o filho da vítima, de 22 anos. (Foto: Reprodução/Coxim Agora)

Marcio Pereira da Silva, de 46 anos, e seu filho, Gabriel Lima da Silva, de 22, tiveram a prisão temporária decretada em audiência de custódia. Os dois são suspeitos do feminicídio que vitimou Nilza de Almeida Lima — esposa e mãe — em Coxim, a 239 quilômetros de Campo Grande, no último fim de semana.

Nilza tinha 50 anos quando foi encontrada morta com uma facada no abdômen, na manhã de domingo (22), em casa. O marido dela apresentou versões diferentes sobre o horário em que os fatos aconteceram e o filho questionou os policiais sobre o paradeiro da mãe, quando foi preso horas depois.

Presos desde o fim de semana, pai e filho passaram por audiência de custódia na tarde de segunda-feira (23) e tiveram a prisão temporária decretada. O prazo determinado pelo Judiciário é de 30 dias.

Câmeras de segurança registraram a movimentação dos envolvidos antes e depois do crime. Com as imagens, inclusive registradas dentro da casa da família, pai e filho foram confrontados sobre as versões apresentadas à polícia.

De acordo com o laudo do exame necroscópico, a ‘causa mortis’ procedeu-se em virtude de CHOQUE HEMORRÁGICO, como consequência de ação de AGENTE PERFUROCORTANTE”, informou a Polícia Civil. O feminicídio será investigado pela DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Coxim.

Ameaças de morte, perseguições e agressões

Marcio já teria sido denunciado por ameaça e violência doméstica em 14 de abril de 2024. Na época, a vítima relatou ameaças de morte frequentes, perseguições e agressões físicas e psicológicas. O marido teria tomado o aparelho celular de Nilza e expulsado ela e o filho de casa, de acordo com o site Coxim Agora.

Além disso, a vítima teria denunciado uma ameaça com faca e agressões com chutes, tapas e empurrões. “Se não for minha, não será de mais ninguém”, teria dito Marcio em um dos episódios de violência contra a companheira. Na época, ela não pediu medidas protetivas contra o agressor.

Não só o marido, mas o filho de Nilza também acumulava passagens enquanto menor infrator. Na ficha do rapaz, constam delitos de ameaça, lesão corporal, descumprimento de medida protetiva e furto. Em abril de 2024, Gabriel teria sido denunciado pelo pai à polícia por ameaça, quatro dias após ele e Nilza procurarem a delegacia.

3º feminicídio de 2026

No imóvel onde ocorreram os fatos, a PM (Polícia Militar) encontrou o marido de Nilza e sinais de luta dentro da residência. Aos militares, Marcio disse, inicialmente, que a esposa e seu filho permaneceram na casa após uma discussão verbal. Segundo ele alegou, as desavenças entre mãe e filho eram frequentes.

Marcio ainda alegou que, cerca de 40 minutos antes de acionar a polícia, saiu de casa e foi até a residência de sua filha para buscar uma garrafa com gelo.

Ao retornar para a casa, por volta de 4h30 da madrugada, encontrou Nilza caída e pedindo socorro. Naquele momento, Marcio disse que não viu o filho no imóvel. Ele afirmou ter pedido ajuda a um morador que passava pelo local, para que ele acionasse o socorro.

Prisão

Diante dos fatos, a Polícia Civil esteve no local, juntamente com a Perícia. Lá, o marido de Nilza teria alterado a versão aos policiais, alegando que o crime teria ocorrido por volta das 20h de sábado (21). Ele apresentou um comportamento agressivo, foi algemado e preso.

Ainda em diligências sobre o feminicídio, uma equipe da PM encontrou o filho da vítima caminhando pela Rua Visconde de Taunai, no bairro Senhor Divino. Quando abordado, Gabriel passou a questionar os policiais sobre o paradeiro da mãe.

Na abordagem, os policiais constataram que Gabriel estava com um corte no lado esquerdo do rosto. O rapaz alegou que a lesão teria sido causada pelo seu pai. Ele e o pai foram presos e encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, em Coxim.

Feminicídios registrados em MS em 2026:

  • Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
  • Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de janeiro.

Fonte: Midiamax.

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