O flagrante ocorreu durante a Operação ‘Pombo Sem Asas’, do Gaeco/MS

Simone Aparecida de Moraes Pereira, de 55 anos, a servidora da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) presa em flagrante com cocaína escondida em sua casa, no bairro Aero Rancho, receberia R$ 700 pelo transporte da droga. O flagrante ocorreu durante a Operação “Pombo Sem Asas”, do Gaeco/MS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Na manhã desta quarta-feira (11), durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa de Simone, as equipes do Batalhão de Choque, junto ao Gaeco, encontraram dentro de uma gaveta no guarda-roupas uma porção de cocaína, que totalizou 47,5 gramas, e três balanças de precisão pequenas na sala.
Para as equipes, Simone contou que recebeu a cocaína, em data anterior, de um motorista de aplicativo, a pedido de um homem, vulgo “Fazenda”. Com isso, ela levaria a droga até as proximidades do Clube Bom Demais, na região do Santa Emília, na Capital. A entrega seria para alguém que ela só saberia no local. Pelo serviço, Simone receberia a quantia de R$ 700.
O documento de representação pela prisão preventiva de Simone aponta que ela atuava como intermediária no transporte e na entrega de entorpecentes, “demonstrando inserção na cadeia de comercialização de drogas, circunstância que evidencia risco concreto de reiteração delitiva caso seja colocada em liberdade”.
Simone foi presa por tráfico de drogas. Assim, a audiência de custódia deverá acontecer nesta quinta-feira (12), às 9h15.

Servidora da Semadesc
Simone atuava na Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), no entanto, foi cooptada pela facção criminosa que atuava em Mato Grosso do Sul.
Conforme o portal da transparência, ela recebia salário fixo no valor de R$ 2.790,01.
A reportagem do Jornal Midiamax acionou a pasta na qual Simone trabalha, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno. O espaço segue aberto para posicionamento.
Investigação
A investigação iniciou a partir do compartilhamento de provas obtidas em investigações anteriores que levaram à exclusão de um policial militar pela prática de corrupção. Assim, revelou um esquema estruturado que garantia a entrada de entorpecentes e aparelhos celulares no complexo penitenciário de Campo Grande, mediante o pagamento de propina.
O servidor, então responsável pela vigilância externa através das torres do presídio da Capital, recebia vantagens financeiras indevidas de internos e familiares, integrantes de facção criminosa, para permitir o arremesso de pacotes contendo drogas e celulares por cima dos muros da unidade.
Os detentos coordenavam a logística externa dos arremessos, executados por membros da organização criminosa que estavam em liberdade. O grupo também utilizava contas bancárias próprias e de terceiros para movimentar valores do tráfico e realizar o pagamento de subornos, visando à manutenção das comunicações com o meio externo e ao fortalecimento da facção no Estado.
Foi descoberto também que a rede criminosa articulava, ainda, o envio de entorpecentes para outras unidades da federação.

Nome da operação
“Pombo Sem Asas” faz alusão ao termo utilizado pelos próprios criminosos para nominar os pacotes contendo drogas e celulares lançados para o interior do presídio (“pombos”) — seja por simples arremessos manuais, seja com a utilização de drones — e à ação do Estado em interromper esse fluxo, neutralizando a logística de comunicação e o abastecimento de materiais ilícitos para a organização criminosa.

Fonte: Midiamax.