Polícia

Vizinhos dizem que filha teria filmado mãe ao ser morta em MS: ‘Pior que Suzane von Richthofen’

Conhecidos contam que brigas eram constantes e que a filha sempre dizia que ia matar os pais

(Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

A vizinhança de Maria Clair Luzni e Vilson Fernandes Cabral está em choque com o assassinato brutal que vitimou o casal em Anastácio, morto a pedido da filha, que confessou o crime. Mesmo uma semana após as mortes, a cidade distante 138 quilômetros de Campo Grande discute a crueldade do crime, comparando-o ao de Suzane von Richthofen, que parou o Brasil em 2002.

“Ela é pior que a Suzane. A Suzane não ajudou a matar. Eu não tenho provas, mas me disseram que ela filmou a mãe olhando, morrendo, e ela matando a mãe”, falou uma vizinha, que preferiu o anonimato. Pela cidade, os comentários são de que a mulher é a “Suzane da Shop**” ou “Suzane do Pantanal”.

O casal foi assassinado a mando da filha e encontrado na noite de 28 de março, dentro da casa onde morava, na Vila Juí, em uma região de chácaras, na saída para o município de Miranda.

A filha, Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, foi presa no dia 30, quando se apresentou à polícia alegando que queria “dar um susto” no pai.

Ela teria encomendado a morte deles junto do companheiro, Wedebrson Haly Matos da Silva. Preso, Wedebrson nega participação no crime.

Assassino morto

O caso ganhou contornos ainda mais macabros quando, na sexta-feira (27), David Vareiro Machado foi assassinado na cidade. Ele era apontado como um dos envolvidos na execução do casal.

Além dele, Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, também é apontado com um dos suspeitos no crime; ele morreu em confronto com a polícia na terça-feira (31).

População de Anastácio está em choque com o crime brutal. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

Vizinhos ouviram gritos e choro

À reportagem, os moradores relataram que ouviram o grito da mulher e acreditam que ela tentou pedir socorro. “Só escutamos o grito dela [mãe]. Porque eles [assassinos] não abriam a boca. Já tinham matado o pai nessa hora. Quando estava matando o pai, acho que a mãe tentou pedir socorro para fora. A parede ficou cheia de sangue”, relatou uma moradora da região.

O choro de Maria Clair também foi ouvido pelos vizinhos. “Eu fiquei com dó dela. Ela chorava aquele choro doído. Sabe… uma dor tão grande”, contou à reportagem.

A moradora da região acrescentou que a família sempre brigava e a filha ameaçava matar o pai. “Sempre eles brigavam aqui, e ela falava: ‘Vou te matar, pai! Vou te dar fim!’ Ela não colocava uma lágrima com o pai e mãe mortos por faca”, afirmou.

Abusos sexuais e briga por casa à venda

Os detalhes sobre o depoimento de Maria de Fátima foram informados à reportagem do Jornal Midiamax na última quinta-feira (2). Segundo a delegada titular da Delegacia de Anastácio, Tatiana Zynger, os envolvidos apresentam versões diferentes e inconsistentes sobre o caso.

A filha do casal, encontrado morto no dia 28, afirma que foi convencida pelo companheiro, Wedebrson Haly Matos da Silva, de 34 anos, a “dar um susto” no pai. A motivação seria um desacordo sobre a venda de uma casa da família, anunciada por R$ 120 mil.

Em depoimento, Maria de Fátima disse que receberia R$ 20 mil pela venda. No entanto, na versão dela, o companheiro não concordava com o valor. “Ela tinha uma construção nos fundos dessa casa e, segundo ela, o Wedebrson queria que ela recebesse metade do valor da venda e, por isso, teria sugerido castigar o pai”, relata a delegada.

Ainda segundo as informações, Maria de Fátima justificou que aceitou o plano do companheiro porque tinha um relacionamento conturbado com o pai, marcado por histórico de abusos.

“Ela afirma que tinha um grande desafeto pelo pai, que ele abusou dela durante a infância e na adolescência, por isso, concordou com a ideia de Wedebrson em matá-lo. A ideia era castigá-lo pelos abusos”, conta.

Maria de Fátima também teria admitido que contratou David por R$ 1 mil e que foi ele quem contratou Wellington dos Santos Vieira, morto pela Polícia Militar no dia 31. Em depoimento, ela também alegou que a morte da mãe não foi planejada.

“Ela admitiu que contratou David e que ele contratou Wellington, mas afirma que não era para a mãe ter morrido. Segundo ela, o Wedebrson teria dito que a mãe dela estaria na casa da avó”, diz.

Suzane von Richthofen

O crime, que foi encomendado pela filha das vítimas e confessado, lembra o caso de Suzane von Richthofen, que planejou o assassinato dos próprios pais, Marísia e Manfred von Richthofen, em outubro de 2002.

Condenada a 39 anos de prisão, mas em liberdade, Suzane decidiu falar sobre o crime em um documentário inédito. Nas primeiras imagens divulgadas, chama a atenção a sua postura.

Em determinados trechos, ela chega a rir ao lembrar alguns episódios que antecederam a morte dos pais.

Produzido pela Netflix, o longa, que ainda não tem nada oficial de lançamento, traz a versão de Suzane. Em um dos pontos, ela descreve a casa como um ambiente sem acolhimento, marcado pela cobrança e sem diálogos sobre temas íntimos, como sexo.

Fonte: Midiamax.

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