Clínica terceirizada encerrou vínculo e hospital não informou se já encontrou alternativa

Vivendo um 2025 de crise com paralisações de serviços e greves por pendências salariais, a Santa Casa de Campo Grande está com o transplante de rim novamente suspenso a partir desta segunda-feira (29). A situação já ocorreu no início deste ano.
A UroClinic, empresa contratada para assumir as demandas da urologia, divulgou nota pública informando que tentou acordo, mas teve que encerrar o vínculo com o hospital devido ao vencimento do contrato e atrasos nos salários da equipe.
“Após meses de tentativas de diálogo, a decisão tornou-se inevitável diante de atrasos no pagamento da equipe e da produtividade médica, bem como a existência de contrato vencido, sem que fosse possível estabelecer um acordo que garantisse a continuidade segura do serviço”, diz um trecho do texto.
A clínica afirma que a situação traz “tristeza e preocupação, sobretudo pelo impacto à população de Campo Grande e região, que pode enfrentar desassistência temporária em um serviço essencial”.

Se tem alternativa – A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Santa Casa para saber como o hospital está lidando com a situação e se já encontrou alternativa para não deixar pacientes sem atendimento, seja convocando equipe interna ou nova contratada. “Os transplantes de rim encontram-se suspensos. No momento, não há outra equipe habilitada para a realização de transplantes renais, razão pela qual a suspensão se mantém até nova deliberação”, respondeu em nota. Quanto às dívidas com o fornecedor, a instituição não se posicionou.
Segundo informações da SES (Secretaria Estadual de Saúde), fora a Santa Casa, apenas o Hospital da Unimed e o Hospital Adventista do Pênfigo são credenciados para fazer transplantes de rim atualmente em todo o Mato Grosso do Sul. O órgão é o que tem maior demanda na fila do SNT (Sistema Nacional de Transplantes).
Desde 2019 – De acordo com informações consultadas no Portal da Transparência da Santa Casa, a UroClinic era a única empresa contratada para fazer consultas e exames em urologia, além de realizar captação de rins e transplantes.
O primeiro contrato foi firmado em 2019, prevendo captação e transplante para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) e, ainda, atendimentos ambulatoriais com urologistas não só para quem usa a rede pública de saúde, mas também para pacientes de convênios e particulares que o hospital filantrópico atende. O valor repassado pela Santa Casa na época era R$ 90 mil por mês mais a produtividade para médicos.
No último e 4º aditivo do contrato, foram inclusas demandas do programa estadual MS Saúde: Mais Saúde, Menos Fila e de um plano de trabalho que seria executado com verba de emenda parlamentar. O documento fixou pagamentos conforme as metas estabelecidas, sendo R$ 135 mil mensais no caso de 91% a 100% delas cumpridas.
Fonte: Campo Grande News.