Hospital recebeu verba pública para adquirir aparelho de ressonância magnética e autoclave, que nunca foram entregues

A origem do esquema de propina paga por meio de transferências Pix em Sidrolândia — município da região central de Mato Grosso do Sul — vem de um convênio assinado entre o Governo do Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, mantenedora do hospital da cidade, em dezembro de 2022.
Nesta terça-feira (18), Sidrolândia voltou a ser sacudida por operação policial, a Dirty Pix, que apura desvios em contrato de R$ 5,4 milhões da unidade de saúde e pagamento de propina ao presidente do hospital e vereadores.
O termo foi assinado em 6 de dezembro de 2022 pelo então secretário de Estado de Saúde, Flávio Britto — alvo da Operação Turn Off, do Gaeco —, e pelo presidente da sociedade beneficente, Jacob Breure. Ele é um dos alvos da ação de hoje.
Foram repassados R$ 5.468.750 ao hospital para compra de equipamentos hospitalares. Assim, em 19 de dezembro, a sociedade beneficente assinou contrato com a empresa Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93), no mesmo valor do convênio.
Foi formalizada a compra de um equipamento de ressonância magnética e uma autoclave. Porém, os dispositivos médicos nunca foram entregues pela empresa, o que levou o hospital à Justiça.
Em agosto de 2023, a 2ª Vara Cível de Sidrolândia determinou a entrega dos equipamentos. Na época, a empresa justificou que o atraso era por conta dos trâmites da importância.
Mas, até hoje, os dispositivos nunca foram entregues. A ação que cobra o cumprimento do contrato continua correndo na Justiça.
Gecoc revela esquema de propina por Pix a políticos e diretor de hospital
A Operação Dirty Pix, do Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM) nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025.
A investigação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar.
Porém, parte dessa verba foi desviada pela direção do hospital e pela empresa fornecedora, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93). A empresa ainda teria pagado vantagens indevidas a vereadores.
Os pagamentos eram feitos por meio de transferências Pix diretamente ou por meio de terceiros aos parlamentares e ao então presidente do hospital, Jacob Breure.
O Jornal Midiamax apurou que são alvos da operação:
- Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;
- Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;
- Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador de Sidrolândia;
- Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;
- Adavilton Brandão (MDB), vereador;
- Elieu Vaz (PSDB), ex-vereador;
- Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;
- José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;
- Júlia Carla Nascimento;
- Júlio César Alves da Silva;
- Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);
- Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);
- Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ 40.273.753/0001-95);
- Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93).
“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “pix sujo” e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.
Fonte: Midiamax.