Transparência

Perícia de R$ 790 mil fará devassa na Santa Casa para apurar origem de rombo milionário

Estado e Prefeitura apontam que crise decorre da má gestão do maior hospital do Estado

Santa Casa de Campo Grande. (Foto: Madu Livramento, Arquivo Midiamax)

Em meio à maior crise financeira e assistencial da história da Santa Casa, perícia nomeada pela Justiça irá iniciar devassa nas contas do maior hospital de Mato Grosso do Sul.

Com honorários de R$ 790 mil, custeados pelo Estado, a GRC Vista vai responder a 119 quesitos abordados na ação judicial. Além disso, a varredura vai checar 56 contas bancárias, contratos com PJs, repasses públicos e operações com empresas do mesmo grupo — similar ao que foi revelado pelo Gaeco na operação Antidotum.

O objetivo será identificar como a Santa Casa fechou o balanço de 2025 com déficit de R$ 124,5 milhões e um passivo astronômico. Somente com a Caixa Econômica Federal, a dívida alcança o montante de R$ 248 milhões.

Estado culpa má gestão

A PGE-MS (Procuradoria-Geral do Estado) apresentou uma auditoria financeira do hospital e provou que o dinheiro repassado pelo Poder Público, na verdade, aumentou nos últimos anos.

O dinheiro público do SUS enviado à Santa Casa subiu de R$ 344,6 milhões em 2022 para R$ 438,7 milhões em 2025. O passivo total do hospital disparou 42%, saindo de R$ 555,7 milhões em 2023 para R$ 792,6 milhões em 2025.

Por outro lado, a Santa Casa alega que o teto financeiro fixado pelo SUS é insuficiente para cobrir o custo real de manter o maior hospital de alta complexidade, trauma e urgência do Estado de portas abertas. O hospital cobra reajuste e alega sofrer um déficit mensal recorrente de mais de R$ 13,2 milhões no custeio público.

O Ministério Público Estadual, por sua vez, cobra o cumprimento de metas e planos de ajuste econômico firmados ainda em 2021.

Pente-fino

A perícia judicial dividiu a investigação na Santa Casa em quatro frentes técnicas para responder a 119 perguntas feitas pelo hospital, pela Justiça, pela Prefeitura e pelo Governo do Estado.

Os peritos vão recalcular o custo real dos atendimentos do SUS, verificar se o déficit alegado de R$ 13,2 milhões por mês é verdadeiro e avaliar se os valores recebidos cobrem a estrutura e os leitos mantidos de prontidão 24 horas por dia.

Paralelamente, a auditoria vai fazer uma devassa financeira nas 56 contas bancárias da instituição para checar se houve mistura indevida de verbas públicas e privadas, além de analisar compras de imóveis e repasses a empresas do mesmo grupo.

Por fim, será examinada a gestão do hospital, avaliando o cumprimento de acordos antigos de demissões e a troca de médicos de carteira assinada por contratos de empresas PJs.

Investigação revelou fraude e prendeu presidente do hospital

Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.

O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujos proprietários tinham ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.

Fonte: Midiamax.

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