Jovem foi demitido antes de receber retorno sobre denúncias de assédio

O servidor que registrou boletim sobre situação de assédio contra chefe comissionado em Campo Grande denunciou a violência duas vezes antes de ir à polícia. Ao Jornal Midiamax, o jovem disse que levou as situações até o MPT (Ministério Público do Trabalho) e o Poder Executivo Federal.
As denúncias antecederam a demissão do jovem, que aconteceu na sexta-feira (27). No Fala.BR, plataforma federal de ouvidoria, o servidor registrou os assédios em 11 de fevereiro.
“Minha mente estava toda acabada”, disse ao Midiamax. O jovem contou sobre o episódio em que aceitou carona do chefe comissionado e teria sido beijado pelo homem. “Achei horrível, mas não tive coragem de fazer nada”, contou.
Além disso, o rapaz relatou ao Fala.BR que “ao longo do tempo, foi só piorando”. Então, descreveu na denúncia que, quando ficava sozinho com o chefe, novos assédios aconteciam. “Aproveita para encostar no meu corpo ou ficar me olhando.”
O rapaz ainda autorizou que a denúncia fosse encaminhada para a instituição em que teriam ocorrido os assédios. O protocolo do Fala.BR é dar uma resposta aos denunciantes que se identificam em até 30 dias.
Contudo, o rapaz acabou sendo demitido duas semanas após realizar a denúncia. Então, registrou boletim de ocorrência sobre os assédios.
Denúncia na polícia
O jovem relatou à polícia que o assédio teria se iniciado em julho de 2025, durante uma carona, na qual o chefe, na pasta municipal, teria passado a mão no jovem, causando constrangimento. A vítima não teria reagido por medo da relação hierárquica.
Após este episódio, o chefe teria começado a enviar figuras por WhatsApp com conotação sexual, insinuando relacionamento homoafetivo e insistindo nas mensagens, mesmo após o jovem relatar que seria heterossexual.
Durante o serviço, o autor continuava com o assédio, por meio de frases de conotação sexual, e forçava abraços quando ambos estavam sozinhos. Em 12 de dezembro de 2025, ao fim de uma confraternização, a vítima teria sido levada para a casa do servidor público após ter carona oferecida.
O jovem relatou à polícia que estaria visivelmente embriagado e teria precisado de ajuda para ser colocado no carro do chefe. Durante o trajeto, o autor teria feito a sugestão de que eles poderiam “ficar como casal nas férias”.

Pós-festa
Diante da negativa, o homem teria dito que conseguiria qualquer coisa, porque era chefe e tinha um cargo alto no serviço público. Assim, a vítima foi levada até a casa do autor. No local, o homem retirou as roupas do rapaz sem o consentimento dele e fez sexo oral nele. O rapaz relatou que não se lembra de tudo o que aconteceu, por conta da bebida.
Ao acordar, ele estava sem roupas e o homem o abraçava. A vítima foi até a cozinha beber água, procurar o celular e as roupas. Após esse episódio, ele relatou que o chefe começou a monitorá-lo no ambiente de trabalho, mas sem mensagens insistentes.
Chefe se posicionou
O chefe comissionado acusado de assédio sexual, em denúncia registrada em Campo Grande, disse ter provas que comprovariam a sua inocência no caso. Ao Midiamax, no último sábado (28), o servidor disse que entregará documentos a um delegado e esclarecerá os fatos.
“Estou com todas as provas, eu preciso primeiro aguardar o delegado para eu ir até a delegacia, com todas as provas contundentes que eu tenho para poder entregar”, disse ao Midiamax.
Sobre quando a entrega deve acontecer, afirmou que será nos próximos dias. “Estaremos indo com o advogado e vai ser tudo perfeitamente esclarecido, com todas as provas contundentes”, ressaltou.
“Muito tranquilo”, é assim que o acusado de assédio se descreveu no sábado (28).
Fonte: Midiamax.